Como lidar com o luto em meio à pandemia

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A pandemia de Covid-19 trouxe consigo uma série de dilemas e enfrentamentos sociais.

Diante dos números expressivos de mortes em decorrência da doença, sentimentos de angústia e de incerteza foram desencadeados em muitas pessoas.

Para aqueles que sofreram com perdas próximas em decorrência do novo coronavírus, o processo de lidar com a morte foi ainda mais desafiador, já que os protocolos sanitários de restrição social não permitiram as cerimônias de despedida tradicionais.

Mas afinal, como é possível lidar com o processo do luto em tempos de pandemia?

O que é o luto?

De acordo com uma das definições mais clássicas, o termo luto se refere a um processo natural que se manifesta como reação a um rompimento de vínculo.

E esse rompimento não se resume apenas à morte, podendo também abranger uma mudança de papel social ou a perda de uma perspectiva de futuro.

No luto sentimos como se algo nos tivesse sido tirado. Reagimos como se algo considerado tão nosso tivesse sido tomado de nós abruptamente.

O processo de luto costuma englobar cinco estágios, que são: a negação, a raiva, a barganha, a depressão e a aceitação.

As fases não seguem um caminho linear, variando de indivíduo para indivíduo, a partir de suas crenças, características emocionais, relações de proximidade, entre outras variáveis.

O rompimento de rituais

Com as restrições impostas pela pandemia, o luto pela morte foi abalado pela interrupção de rituais considerados fundamentais para a assimilação de todo o processo.

O processo de entendimento e de elaboração da perda é composto por rituais específicos.

Entre eles está, por exemplo, a visita a um ente querido doente. Nestes momentos é possível segurar a mão do enfermo, pedir perdão ou perdoar por algo que aconteceu. Tudo isso faz parte da construção do processo de luto, em gestos que ajudam a suavizar o golpe.

Da mesma forma acontece nos velórios e enterros, em que a troca de energia entre parentes e amigos auxiliam a criar uma atmosfera de alento coletivo, trazendo enormes benefícios para a saúde mental dos envolvidos.

Com a impossibilidade de realização desses rituais de despedida, por conta do distanciamento social imposto, muitas pessoas podem ser afetadas por quadros de luto prolongado.

No luto prolongado, que não apresenta prazos para a superação da dor, todos os pensamentos da pessoa são direcionados ao ente que se foi, impossibilitando até a realização de atividades rotineiras.

Nesta fase é fundamental externar os sentimentos, seja anotando pensamentos e reflexões em diários, ou se amparando regularmente em familiares e amigos.

Trabalhando o aspecto emocional

Diante da nova realidade, em que os rituais fúnebres e de despedida ficam comprometidos, tornando o luto ainda mais delicado, as lacunas existenciais implicadas com a perda podem ficar acentuadas.

Transtornos emocionais como depressão, alterações de sono e alimentação podem ser desencadeados, a depender das fragilidades e vulnerabilidades sentimentais apresentadas por quem lida com a morte. Sendo assim, é essencial ter a real compreensão sobre o momento em que vivemos.

Não é porque não nos despedimos como desejávamos dos nossos entes queridos que devemos alimentar sentimentos de culpa ou desenvolver dores delicadas de serem trabalhadas.

É natural que, ao pularmos etapas desse processo de despedida, o luto se torne um pouco mais prolongado e doloroso. Por isso é tão importante que os sentimentos de dor e de sofrimento sejam externados.

A criação de ambientes mentais, em que a pessoa possa estabelecer “comunicações” com o ente que se foi, é uma alternativa interessante para amenizar a dor.

Nessa comunicação, em que a pessoa pode dizer tudo o que queria ter dito à pessoa falecida, às vezes até por meio de cartas, simulando que ao escrevê-la a outra pessoa estará lendo ao mesmo tempo, um eficiente exercício de assimilação da perda pode ser estimulado.

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